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Sede do CFC: do Rio de Janeiro para Brasília8 minutos de leitura

Por Ingrid Castilho
Comunicação do CFC

Foto da sede do CFC em Brasília

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) existe desde 1946, quando foi assinado o Decreto-Lei n.º 9.295, pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. No entanto, a primeira sede só foi consagrada alguns anos depois. E, diferente do que muito pensam, não foi em Brasília.

A história conta que, antes disso, o Sindicato dos Contabilistas do Rio de Janeiro servia de sede provisória do CFC e, assim, permitia em seu espaço as reuniões plenárias. Foi, inclusive, na estreia delas, nesse local, em 21 de agosto de 1946, que o assunto da criação de uma sede surgiu oficialmente na pauta. Antes disso, as primeiras reuniões foram sediadas no prédio do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, localizado na mesma cidade.

O resultado das discussões sobre o tema foi concretizado seis anos depois. Na 124ª Reunião Plenária, no dia 30 de dezembro de 1952, o presidente e contador Paulo Lyra inaugurou o primeiro prédio do CFC, na capital fluminense. Além dela, como homenagem aos pioneiros da contabilidade no país, duas esculturas, dos bustos de Moraes Júnior e de João Lyra Tavares, também foram lavradas.

Brasília
A decisão da mudança da sede do CFC do Rio de Janeiro para Brasília, se deu no ano de 1991. Mais do que uma questão política, para aproximação com os Poderes Executivo e Legislativo, era uma necessidade legal, isso em razão do  Art. 3º do Decreto-Lei n.º 9.295/1946, que diz:

“Terá sua sede no Distrito Federal o Conselho Federal de Contabilidade, ao qual ficam subordinado os Conselhos Regionais”.

Assim, o então presidente Ivan Carlos Gatti iniciou os trabalhos para a chegada do CFC na capital do país. Antes mesmo da inauguração do prédio oficial, ele autorizou a compra do terreno, lançou um concurso nacional para a escolha do projeto arquitetônico e definiu uma instalação provisória no Distrito Federal.

História pelos funcionários
Há 29 anos trabalhando no CFC, a analista administrativa Celia Schwindt se recorda bem dessa época. A sede provisória em Brasília, estava localizada no Edifício Sofia, no Setor Comercial Sul, e foi palco da primeira Plenária.

Ao longo da jornada de trabalho, Célia presenciou diversos fatos importantes, como as atividades que deram origem ao Conselho em sua nova cidade: “a reorganização administrativa imposta pela transferência da sede, o acompanhamento da construção do edifício onde hoje funciona o Conselho Federal e a projeção de novas iniciativas voltadas à valorização da profissão contábil no Brasil”, destaca.

Além desse fato, ela também pontua outros marcantes para o CFC. Veja, ao final da matéria, a entrevista completa que fizemos com ela, na qual detalha um pouquinho mais das mudanças dessa história.

Foto: Presidente Ivan Carlos Gatti no lançamento da pedra fundamental da sede própria do CFC – 1993/ Arquivo do CFC

Construção do prédio
O projeto arquitetônico do prédio do CFC foi desenhado pelo arquiteto José Luiz Tabith Júnior, de São Paulo. Ele venceu o concurso e foi escolhido dentre outras 37 propostas por uma comissão instituída para essa finalidade.

No CFC, há dois funcionários que ajudaram a executar a obra, são eles: os auxiliares operacionais Adão Barboza e Reginaldo Melo. Em 1994, Melo morava em São Paulo e prestava serviços para uma empresa da mesma área de construção. “Fui convidado a trabalhar na obra do CFC, e como era solteiro e não tinha filhos, aceitei a proposta e vim para Brasília. Ajudei a levantar a sede do Conselho que hoje trabalhamos e tenho muito orgulho”, conta Reginaldo.

Para Adão, não foi diferente. Ele ajudou a construir a história do CFC sendo eletricista na construção do prédio do Conselho. Depois, pelo desempenho do trabalho, assim como Reginaldo, foi indicado para fazer parte do corpo funcional da entidade. A memória recorda: “comecei a trabalhar no Conselho no início de setembro de 1996, coincide com a época que o prédio do CFC foi inaugurado. Já são 24 anos de casa”, diz seu Adão.

Foto: Reginaldo Melo em dia de trabalho no CFC. (Foto tiradas antes da pandemia) / CCOM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Plenário e Museu

O prédio do CFC em Brasília está localizado no Setor de Autarquias Sul (SAUS), possui 13 andares, sendo um deles um auditório com capacidade para 180 pessoas.

Além disso, o Conselho Federal também abriga o Museu Brasileiro de Contabilidade. Uma instituição permanente, sem fins lucrativos, aberta ao público e a serviço da sociedade. O Museu adquire, conserva, pesquisa, comunica e expõe a história da evolução da Contabilidade no Brasil e no mundo, para fins de estudo, educação e lazer. Além disso, destaca e valoriza a atuação CFC desde a sua fundação, em 1946. Atualmente ele se encontra fechado à visitação, mas pode ser visitado virtualmente. Para fazer tour, acesse: https://bit.ly/museudocfc

 

 


 

 

Entrevista com Célia Schwindt

– Quais foram as evoluções mais marcantes que você acompanhou?

“Com a criação do modelo de Planejamento do Sistema CFC/CRCs, foi introduzida a visão sistêmica dos Conselhos, o que permitiu a elaboração e o acompanhamento do Plano de Trabalho do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de uma forma consistente e organizada. Foi o primeiro passo para viabilizar os trabalhos que viriam a seguir”.

– Entre os trabalhos citados, poderia descrever alguns exemplos?

“O Conselho Federal apoiou os Conselhos Regionais na compra de sede própria e de equipamentos necessários ao bom funcionamento de cada uma das unidades. Ainda na década de 1990, o presidente Ivan Carlos Gatti e seu sucessor, José Maria Martins Mendes, foram incansáveis no propósito de criar e manter uma estrutura favorável ao pleno desenvolvimento das atividades da classe contábil em todo o país”.

Os sucessivos gestores que assumiram a condução do CFC contribuíram de forma significativa para tornar a entidade forte e reconhecida no meio social e político do país. Difícil enumerar as importantes e decisivas ações voltadas ao fortalecimento da profissão. Promover a aproximação efetiva da classe contábil à esfera governamental e, mais precisamente, junto ao Congresso Nacional foi uma das inúmeras conquistas das últimas décadas.”

Quais projetos você acredita terem sido importantes nesse percurso?

“Os projetos de Educação Profissional Continuada, Qualificação Técnica e Fiscalização do Exercício Profissional foram intensificados e aperfeiçoados ao longo do tempo, e a instituição do Exame de Suficiência veio consolidar o status da contabilidade, que hoje se destaca no ranking como uma das profissões mais valorizadas pelo mercado.

A internacionalização da contabilidade avançou, por meio da participação ativa do CFC em organismos internacionais, possibilitando não só a troca de experiências, mas também o reconhecimento do Brasil como país gerador de conhecimento, em virtude das valiosas contribuições dos seus renomados profissionais e pela forte atuação no processo de emissão e adoção de normas internacionais.”

Por fim, Célia, como é para você fazer parte do time do CFC há tanto tempo?

“O Conselho Federal de Contabilidade se destaca pela sua organização e já serviu de referência a outros conselhos de fiscalização profissional, tanto em aspectos funcionais como em iniciativas voltadas ao aperfeiçoamento profissional. Isto se deve à determinação dos seus gestores na adoção de políticas eficazes voltadas ao fortalecimento da profissão contábil e ao apoio da equipe funcional, que sente orgulho de pertencer a uma entidade que trabalha para assegurar à sociedade a prestação de serviços de qualidade.

É gratificante fazer parte da história do CFC e festejar os seus 75 anos de existência. Confraternizar com a equipe atual, sem esquecer aqueles que passaram e deixaram o seu legado, conscientes de que a contribuição de hoje será o produto de amanhã.”